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| Limitações jornalísticas | Encontro com a mídia | Referências bibliográficas |
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A comunicação
ambiental – na imprensa escrita, falada e televisada e mais
recentemente na Internet – evoluiu rapidamente não somente
nos países desenvolvidos como nos países em desenvolvimento,
de tal forma que, como a saúde, é um dos temas favoritos
do público e de muitos políticos, sendo um campo de
interesse para os meios de comunicação.
O jornalismo ou comunicação ambiental é um ramo do jornalismo científico. Ele pretende oferecer informação útil e prática que permita ao cidadão decidir – com conhecimento de causa - o que pode controlar na sua vida. Desta forma, contribui para o desenvolvimento da capacidade das pessoas em decidir sobre sua forma de vida, não apenas no seu próprio ambiente, em seu país e até mesmo no planeta. Na comunicação ambiental se concretiza a interdisciplinaridade das ciências ambientais com a ciência da comunicação. A comunicação ambiental explica a relação das sociedades com o seu ambiente, as características próprias do ambiente e como o ser humano pode se ver afetado de forma positiva ou negativa. Ao tratar fenômenos relacionados à natureza, incluídos os seres humanos, inclua as ciências naturais, física, biologia, psicologia e química, entre outras. O anterior faz com que o jornalista tenha que desenvolver a capacidade de administrar diversos aspectos científicos, como o impacto do meio ambiente sobre a saúde de populações particulares (grupos de alto risco) ou abertas (comunidades completas). É provável
que nenhuma outra especialidade jornalística tenha que enfrentar
uma gama de temas tão ampla, originais e complexos. A complexidade
é dupla, pois não se trata de entender os pormenores
do problema em questão, pois o jornalista também deverá
encontrar as formas e a linguagem adequadas para contá-los
ao ouvinte, leitor ou telespectador. Essa complexidade pode provocar
o alarmismo e a divulgar informação que coloca no mesmo
nível os riscos cientificamente demonstrados e aqueles que
estão em processo de avaliação ou que ainda carecem
de comprovação científica. Por outro lado, pode-se
cair em um jornalismo de denúncia com uma análise simplificada
dos problemas e uma luta entre “bons” e “maus”,
o que pode resultar em espetáculos e não necessariamente
em processos analíticos. Esta situação pode cansar
o público por causa das queixas e escândalos em todos
os níveis. Atualmente, o meio de comunicação por excelência nas zonas urbanas é a Internet. O número de usuários em todo o mundo cresce constantemente. Segundo o Almanaque de la Industria de la Computación, havia 490 milhões de usuários com acesso à Internet em 2002 e para 2005 calcula-se que de cada 1.000 pessoas, 118 estarão conectadas por esta via. A Internet oferece muitas oportunidades para o fluxo imediato de informação. Os sinais de dados, áudio e vídeo podem ser enviados a qualquer parte do mundo, em qualquer momento, sem que seja necessário estar on-line para recebê-los. Desta forma, a Internet rompe as barreiras da linguagem, do tempo e do espaço. A informação na Internet permite que seja usada pelos vários meios de comunicação, assim como pela pessoa que, por meio de mecanismos de busca, pode achar o que lhe interessa sobre questões ambientais, ou pode ampliar uma notícia em particular. Quando o repórter de um jornal diário escreve uma nota sobre um derrame de produtos químicos, ou radiativos, está fazendo uma comunicação de risco. Quando um jornalista de uma revista escreve um artigo sobre a chuva ácida, também está escrevendo sobre risco. A comunicação de risco também ocorre quando as notícias ou os meios de entretenimento descrevem perigos relacionados com a saúde - quer sejam potenciais, iminentes ou existentes – que possam acontecer com alguns leitores ou o público que o lê. Esses perigos à saúde podem ser de natureza variada, preocupações da área de saúde pública (como a propagação da AIDS), preocupações ambientais (a deterioração da camada de ozônio) e incidentes envolvendo materiais perigosos, entre outros. Entretanto, a comunicação de risco vai além das histórias de desastres naturais, atos de terrorismo ou ameaças climáticas. A comunicação de risco também se apóia nos meios de comunicação para dar a conhecer descobertas médicas, supostas ou reais, novas drogas farmacêuticas, programas de saúde, medidas de mitigação de certos riscos para a saúde (como por exemplo o chumbo na gasolina) e outras medidas de controle da contaminação. É importante que a mídia reforce a conscientização de que a solução dos problemas ambientais depende da participação das pessoas afetadas. Assim, o jornalista ambiental promove a conscientização e o exercício do direito de ser corretamente informado e de participar das decisões sobre as condições da nossa vida sobre a Terra e seu efeito na saúde das populações. As notícias ambientais provêm basicamente de pessoas, empresas, associações e organizações diversas, preocupadas ou ligadas a esses temas. Em muitos países, considera-se que as associações ecológicas são responsáveis por fazer conhecer os problemas ambientais e seus riscos. São essas associações, nacionais ou internacionais, que se consideram co-inventoras do jornalismo ambiental, pois foram as pioneiras na divulgação desse tipo de problemas e dos riscos que certas condições de vida implicam tanto para o meio ambiente como para a saúde (por exemplo, viver em uma zona contaminada, manipular produtos químicos no local de trabalho, etc.). Outras fontes de informação são os próprios partidos políticos que descobriram que a bandeira da ecologia pode induzir muitas pessoas e conquistar votos. Os sindicatos em certas sociedades podem também ter um papel importante no que se refere à denúncia de riscos associados com processos industriais. Felizmente, o mundo científico desempenha um papel cada vez mais ativo na divulgação dos riscos para a saúde. As universidades e os centros de pesquisa, tanto públicos como privados, fornecem informações científicas e técnicas que permitem colocar os riscos em uma perspectiva adequada. Dada a ampla variedade de fontes, o fundamental é que o jornalista esteja consciente da veracidade, rigor e compromisso de cada uma delas, condições básicas que deve cumprir qualquer fonte. É fundamental que o jornalista não se transforme em um porta-voz da fonte e sim que compare a informação, de maneira a obter uma visão completa e equilibrada da situação de risco com a qual está lidando. O ideal seria haver uma independência absoluta entre a fonte de informação e o jornalista. Uma saudável distância entre o que possui a informação original da nota jornalística e aquele que a transmitem. Entretanto, isso é difícil por causa da quantidade de interesses e atores envolvidos. As pressões de tempo e a própria organização jornalística em suas diversas variantes (imprensa escrita, revistas, rádio, televisão) levam a limitar as fontes consultadas, impedindo o aprofundamento da notícia e a obtenção de um leque de opiniões. Como não é possível consultar todas as fontes, recorre-se às mais conhecidas ou as de fácil acesso, perdendo-se a oportunidade de ouvir outras opiniões. Por isso, é conveniente ficar perto dos jornalistas e fornecer informações sobre as outras fontes acessíveis. Senão, acabam-se privilegiando fontes que podem influenciar a informação de maneira importante. Muitos cientistas que participam do processo de avaliação de risco sentem-se incomodados diante da possibilidade de estabelecer uma relação com jornalistas. Isto se deve ao fato de não poder controlar a forma como aparecerá a informação dada por eles e temem citar equivocadamente os conceitos. Ao fazer uma pesquisa sobre determinado risco, o jornalista pode aproximar-se de um dos principais interlocutores, o cientista, no caso, mas não consegue trabalhar com a difícil terminologia do especialista. Então, a comunicação torna-se um ponto de conflito e não de encontro. O jornalista enfrenta os prazos apertados e os fatos, enquanto o cientista é obrigado a ter paciência e se concentra nos processos. Isso cria ritmos diferentes durante a pesquisa, geralmente gerando frustração no jornalista. Daí a necessidade de um jornalismo especializado em material ambiental, que difunda informações sobre o meio ambiente atualizadas, rigorosas, científicas, contrastadas e contextualizadas. Isto não exclui dificuldades, dado o grande volume de dados, a multiplicidade de fontes e a complexidade dos processos, que freqüentemente são suscetíveis de interpretações distintas. Além disso, algumas vezes o jornalista transcreve informações de segunda mão, não confirmadas com a fonte original. A todos esses problemas somam-se os advindos da pluralidade de atores, interesses e valores que entram em jogo. A maioria dos profissionais da mídia tem pouca experiência com ciência, medicina, toxicologia, epidemiologia, engenharia, leis e tudo o que está relacionado ao risco, exceto os jornalistas especializados, que trabalham em publicações de grande circulação. Por conseguinte, quando os comunicadores vêem-se diante de aspectos complexos, sobre os quais até os especialistas discordam, é difícil fazer uma análise objetiva e fundamentada da situação. Então, enfocam-se o aspecto humano, o drama e a política. Também surgem distorções quando os jornalistas tentam explicar os aspectos técnicos com palavras mais simples. Por isso, é necessário haver uma aproximação entre a mídia e os pesquisadores, técnicos e tomadores de decisão, para que o critério relativo aos problemas de saúde ambiental vá-se fortalecendo. Isto facilitará uma cobertura maior e um tratamento mais objetivo e claro dos temas. Um jornalista que trabalha com questões ambientais tem as seguintes características:
Entre as perguntas clássicas às quais deve responder o jornalista: o quê? como?, onde?, quando? e por quê?, no jornalismo ambiental a mais importante é a última. Como a notícia refere-se (quase que por definição) ao que não é incomum, a mídia insiste nos perigos relativamente graves ou estranhos. As catástrofes são comunicadas com mais freqüência do que as causas menos espetaculares de falecimento e danos, que têm estatísticas análogas e até mesmo maiores. Esta predisposição natural para o dramático explica por que a informação sobre riscos proporcionada pelos meios de comunicação é, geralmente, inadequada. Ao se informar sobre um risco ambiental, em geral destacam-se suas características mais alarmantes. A linguagem austera da notícia, ou seja, as palavras e os gráficos utilizados para transmitir informação, também deixam margem à interpretação, especialmente pela falta de informação básica. Em alguns casos de emergências ambientais, a informação centra-se no desastre propriamente dito e poucas vezes são analisadas as forças sociais, culturais e econômicas subjacentes ao evento. Assim que passa o período de emergência, esses fatores passam a ser considerados, mas geralmente nessa etapa o interesse da população diminui, porque não se conseguiu colocar o problema em perspectiva no momento adequado. Os meios de comunicação que transmitem notícias parecem avaliar a gravidade de um desastre em função do número de mortos e feridos, a extensão dos danos causados aos bens e o seu alcance geográfico. Mas, a gravidade de um desastre por si só não determina seu valor como notícia. Como a existência de uma crise ambiental envolve as noções culturais fundamentais do ser humano (científicas, filosóficas, religiosas), outros fatores podem ter influência no valor do desastre como notícia, por exemplo, os aspectos políticos, o momento em que se produz a distância geográfica, a probabilidade de sua repetição no território nacional e também o nível de saturação dos jornalistas e do público. Quando diminui o interesse por um acontecimento ambiental espetacular, os meios de comunicação começam a tratar de outros temas. Isto, por sua vez, reflete-se em uma diminuição do interesse do público. Quando os meios de comunicação passam a prestar menos atenção ao fato, em geral o público tende a considerar os problemas como menos graves. Ao elaborar uma nota jornalística ambiental, devem-se destacar as “idéias-força” de grande valor, para se conectar e se comunicar com o cidadão. Entre as idéias-força estão as raízes culturais, a relação do ambiente com a saúde, o vínculo da preocupação pelo meio ambiente com a modernidade, a qualidade de vida, a prosperidade econômica, a geração de emprego, a solidariedade para com as futuras gerações e o respeito com relação a todas as formas de vida. Isto é o fundamental a ser considerado na comunicação de risco. Os meios de comunicação, ao refletir as preocupações do público, têm contribuído para legitimá-las. Atualmente, as questões ambientais têm uma identidade institucional sob a forma de órgãos públicos e de um conjunto de entidades oficiais e não-oficiais. Os meios de comunicação estão agindo cada vez mais como uma ponte entre o público e os órgãos decisórios. Os jornais que escrevem sobre o meio ambiente, assim como aqueles que dão qualquer outro tipo de notícia, estão submetidos a rigorosas restrições de tempo e de espaço. No melhor dos casos, eles dispõem de horas para descobrir e assimilar um conjunto de fatos, muitas vezes complexos, avaliar a sua importância e o peso relativo a ser dado a opiniões diversas, captar a reação e redigir ou transmitir pelo rádio seus artigos. Em geral, resumem essa informação em algumas centenas de palavras e utilizam uma linguagem simples. Tais limitações inevitavelmente produzem distorções sob a forma de simplificações, opiniões sobre as quais não houve reflexão ou a reunião de vários fatores que podem parecer a primeira vista importantes, em detrimento dos que podem tornar-se mais transcendentes a longo prazo. Nessas circunstâncias, a elaboração de informes precisos, transparentes, documentados e equilibrados exige considerável competência que alguns jornalistas, mas não todos, possuem em alto nível. Os meios de comunicação também tendem, em geral, a se imitar uns aos outros, a adotar modismos, a adquirir interesses repentinos motivados por acontecimentos particulares, em especial temas da atualidade e, rapidamente, com a mesma rapidez, cansam-se deles. A cobertura do risco também é afetada pelas limitações que são próprias ao jornalismo, como o tamanho da empresa, a restrição do espaço e do tempo de transmissão, a disposição para a reportagem de notícias importantes, os prazos de entrega dos artigos e o difícil acesso a fontes externas. Para uma história menor os repórteres podem necessitar de apenas uma fonte. Se uma fonte competente tem algo mais a dizer, o jornalista poderá dar continuação à história no dia seguinte. Os diferentes tipos de fontes confiáveis fornecem ao jornalista vários tipos de conteúdo. Os prazos apertados para publicar as notícias impedem um tratamento profundo do tema porque os jornalistas não têm tempo suficiente para investigar. Os artigos sobre notícias impactantes não são escritos, em sua maioria, em muitos dias e sim em algumas horas, embora os jornalistas que escrevem sobre tecnologia ou ciências mais complexas possam ter, em alguns casos, prazos de até uma semana. Em geral, os jornalistas não especializados, em particular os de publicações menores ou de pequenas estações de rádio, não sabem onde encontrar fontes autorizadas e às vezes consultam as menos apropriadas.
Como reforço ao que foi dito, convém chamar a atenção dos responsáveis pelos meios de comunicação, dos diretores e chefes de redação para a importância do trabalho dos jornalistas especializados. Além de apoiar a formação profissional especializada de jornalistas nesta área, é necessário incentivar os profissionais atuantes por meio de cursos, seminários e workshops. Na comunicação de risco é importante mencionar “filtros” da informação nos meios de comunicação. Os “filtros” dependem das ideologias ou interesses dos editores, que decidem os temas sobre riscos que serão divulgados. No encontro com a mídia, é necessário estabelecer uma lógica concatenada de ações que podem ser resumidas em três etapas. COM ANTECEDÊNCIA
DURANTE
DEPOIS
É preciso converter o jornalismo ambiental em um canal de educação informal. Deve-se assegurar que os jornalistas mantenham este tema ativo, o que aumentará a experiência sobre o seu trabalho de comunicação. Conseqüentemente, embora se considere que um jornalista especializado em riscos ambientais possa assumir uma postura de denúncia, é necessário apoiá-lo para que fomente atitudes positivas e consenso no público, no governo e nas empresas. Dessa forma, promove-se um jornalismo informativo, de divulgação e bem documentado, um jornalismo comprometido, embora não sectário. É indispensável oferecer ao cidadão material para seu conhecimento, porém, sobretudo para suas ações cotidianas. Nos eventos sobre saúde ambiental participam não apenas os jornalistas que cobrem o tema da saúde, mas também os da área ambiental. Cada um deles tem um tratamento especial para estas notícias. A fim de contrabalançar as dificuldades inerentes a estes temas, os jornalistas latino-americanos envidaram esforços de coordenação e intercâmbio que levaram à criação de redes e organizações locais, regionais e internacionais. Existe uma alternativa interessante de trabalho conjunto entre os meios de comunicação e as instâncias governamentais, responsáveis pela elaboração de um plano de comunicação de risco. Recomenda-se identificar os jornalistas que cobrem tanto os temas da área da saúde como os do meio ambiente para envolvê-los desde o início do plano e manter uma relação permanente que permita fazê-los participar no processo decisório sobre a saúde ambiental. Isso permitirá que o jornalista faça parte do grupo de trabalho e que se transforme em um legítimo colaborador. Deve-se apoiar o crescimento de um jornalismo especializado não apenas em questões ambientais, mas também em riscos para a saúde humana. Trata-se de um jornalismo em que se estabelecem cumplicidades com o cidadão, um jornalismo de apelação constante para as atitudes e comportamentos das pessoas, um jornalismo que convida à ação e à modificação dos comportamentos que afetam a exposição a um perigo e que determinam em grande medida o risco. Uma melhor disponibilidade de informação sobre o meio ambiente por parte dos meios de comunicação, assim como uma comunicação adequada dessa informação ao público é essencial para combater os problemas ambientais. Cada reportagem deve ser um convite para a ação organizada da população. Na solução dos problemas ambientais e dos riscos à saúde, a coletividade deve participar. A consciência da população organizada é o único caminho para alcançar um ambiente saudável. Não se mede o êxito da comunicação ambiental pela maneira como o público aceita as soluções apresentadas pelos órgãos decisórios. Isto acontece quando um público bem informado escolhe as melhores soluções com conhecimento de causa. Uma das funções mais transcendentais dos meios de comunicação consiste em ampliar a audiência para o debate de uma questão em particular. Geralmente, isso conduz a uma reconsideração do alcance do problema e amiúde provoca novas questões e mais polêmica. Mas também provoca uma nova reflexão com as novas dimensões que surgem do debate público mais amplo. E isto, por sua vez, tem como conseqüência políticas melhores e mais duradouras. 1. www.fplc.edu/RISK/vol5/summer/sandman.htm 2. www.saladeprensa.org/art340.htm 3. Periodismo ambiental: Cómo informar sobre el medio ambiente. Aula de Ecología Urbana de Vitoria-Gasteiz. 4. Bacheta, V.L. Un periodismo ambiental, un convidado de piedra. www.uruguay.com/laonda/LaOnda/1-100/18 5. www.uacj.mx/Publicaciones/sf/vol2num6y7/periodismo.htm 6. www.union.org.mx/guia/derechosyobligaciones/periodismo.htm |
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